7 de março de 2014

Você vai para as cidades de papel, e nunca mais vai voltar: Cidades de Papel, de John Green

Título Original: Paper Towns
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Nº de Páginas: 368
ISBN: 9788580573749
Onde Comprar: Livraria Saraiva/Submarino/Book Depository (Em Inglês)

Vou ser pedante sim, e dizer que é muito, mas muito difícil escrever resenha de um de seus livros favoritos. Nunca vai estar bom o suficiente. Nunca vai englobar tudo o que você queria dizer. Mas estamos aqui pra tentar, não é mesmo?

John Green é um dos meus autores favoritos e de muita gente também. Alguns gostam mais de A Culpa é das Estrelas, outros de Quem é você, Alasca?, outros – não muitos – preferem O Teorema Katherine, mas eu gosto mesmo é de Cidades de Papel. Talvez pelo meu desejo quase masoquista de levar tapas metafóricos na cara, ou pelo tanto de tiradas legais, ou pelos personagens, esse livro acabou se destacando dos outros do autor.

Quentin Jacobsen é um garoto comum, com uma vida nada extraordinária. Seus pais são psicólogos, seus amigos não são os mais populares do colégio, e muito menos ele. A única coisa que causa um verdadeiro impacto em seu mundo sem graça tem forma e nome: Margo Roth Spielgeman.

Desde quando era criança, quando ainda conversavam, Quentin nutre uma paixão platônica por Margo. Após um incidente bastante inusitado para duas crianças, os dois acabam se distanciando, até que em uma certa noite Margo aparece na janela do quarto de Quentin com a cara pintada de preto e vestida de ninja, convocando-o para a possível melhor noite de sua vida.

Logo depois de todos os acontecimentos dessa noite inesquecível, Quentin passa tempo tentando descobrir a melhor forma de conversar com Margo quando a encontrasse na escola. Só tem um problema: Margo está desaparecida. Ela é conhecida por suas fugas e aventuras, tanto que, dessa vez, quase ninguém se importa de verdade com seu desaparecimento, nem mesmo seus pais. Mas ao perceber que Margo deixou pistas de onde ela possa estar, Quentin parte em uma aventura com seus melhores amigos em busca dela.

Como em todos os livros do John, a história é bem incomum. Pelo resuminho que fiz acima, parece que contei o livro todo, mas esse não é nem o começo! Já tinha lido o livro há um tempo, mas decidi fazer uma resenha do livro e, para isso, é preciso de uma releitura. Claro que a resenha foi só a desculpa que tanto procurava para relê-lo, mas isso não faz diferença. Fiquei bem feliz em ter relido Cidades de Papel pelo tanto de coisas que acabei deixando passar na primeira leitura, e por ter percebido algumas coisas com mais clareza do que antes. Definitivamente, a segunda vez foi ainda melhor.

É incrível ver como a história vai se desenvolvendo a cada página, de uma maneira muito palpável. Muita coisa acontece, mas nada sai atropelado, e muito menos deixando buracos na trama. Tudo em que conseguia pensar enquanto relia era "Como o John consegue?", e até agora não sei direito. É quase clínica a forma minuciosa como cada palavra é bem colocada, por mais boba que seja. Isso impressiona porque, como disse, a história tem muita informação, e é possível perceber o quão fácil seria para o autor se perder na hora de escrever.

Uma das melhores coisas, e, curiosamente, o único problema que tenho com esse livro, são os personagens. Não me entenda mal, eu gosto de todos eles – com exceção de um pequeno problema com o Ben. O problema é que o personagem principal (Quentin) foca tanto em um outro personagem (Margo) que acaba sufocando todos os outros personagens, quando queria ter visto mais sobre a Lacey e o Radar. Entendo que isso é essencial não só para história, mas também para seu final. Porém é impossível não notar e ver o quanto a "obsessão" (coloco entre aspas porque, bem, obsessão pode ser uma palavra forte demais pra isso) de Quentin interfere diretamente nos outros.

Cidades de Papel é um livro simples e complexo, forte à sua maneira. Diria até que é único. A mensagem da história é bem difícil de ser passada, mas tudo caiu como uma luva, me fazendo pensar que não poderia ser de outra forma. É cheio de tiradas, mas, no final das contas, o livro todo acaba servindo como uma grande citação. Sério, se deixassem eu marcaria o livro todo. É um livro para rir, se divertir, e refletir, como não poderia deixar de ser.

Mateus Bandeira - @mateusbnd. 18 anos. Estudante de Cinema e Audiovisual na UFC e criador do Padoka. Apaixonado por cinema, música e literatura, espera algum dia viver de alguma dessas coisas - ou de todas elas. Sucker de cultura pop.

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