20 de julho de 2013

Nem demais, nem de menos: O Fim de Todos Nós, de Megan Crewe

Grandes expectativas podem te decepcionar, mas também podem ser gratificantes quando elas são completamente supridas. O que foi o feliz caso de O Fim de Todos Nós, o primeiro livro da trilogia de Megan Crewe.


Kaelyn é uma garota de 16 anos, que acaba de voltar a ilha onde nasceu, perto do continente norte-americano. Mas sua volta ocorreu com um desentendimento com seu melhor amigo, deixando a com a incerteza de que a amizade entre os dois pode ter acabado. Então, em uma tentativa de manter algum tipo de contato com ele, e para treinar como iria conversar quando os dois se reencontrarem, ela passa a escrever um diário, no formato de cartas para o seu amigo, falando sobre seu dia-a-dia, e seus pensamentos.

Tudo começa a ficar estranho quando pessoas começam a adquirir sintomas peculiares, mas ninguém sabe o que significam de fato. Até que ocorrem as primeiras mortes, e a doença misteriosa passa a se espalhar pela ilha, causando pânico em toda a população, e levando toda a sociedade ao declínio. A única esperança é a ajuda do continente, mas será que lá está tão seguro quanto na ilha?



Eu gosto muito de distopias, não tem nem como discutir. Mas todo o booming do gênero, como é esperado, vem o saturando com histórias um tanto repetitivas, sem uma verdadeira distinção. O que acaba levando pessoas como eu, que se cansam muito fácil, a estagnar com a mesma fórmula. Pode ter ação do início ao fim, personagens fortes, até mesmo uma romance no background arrebatador, mas se não tiver um diferencial... é. Pra mim não rola.

E é nesse mar de livros distópicos que surge O Fim de Todos Nós. O mais curioso, na verdade, é que esse é um dos poucos livros para o público jovem-adulto que não foca diretamente no período "pós-apocalíptico", mas de um apocalipse iminente. Apesar de beber bastante da fonte de algumas distopias, o livro tem algo próprio, e consegue explorar bastante isso com alguns personagens, e com a própria forma em que o livro foi escrito.


Se por um lado são fortes, os personagens pecam em profundidade. Talvez por ser uma espécie de diário-carta tenha sido complicado para a autora desenvolver outros personagens além da Kaelyn. Mas, ao mesmo tempo, é possível ver o desenvolvimento de outros nas observações da protagonista, ou pelo menos algo próximo disso, com todas as percepções que temos deles. O que gostei mais na Kaelyn foi o fato de ela nem ser muito durona, nem muito vitimizada, o que a tornou bem mais real do que outros personagens do gênero.

A escrita do livro oscila bastante entre muito rápida e muito lenta. Há momentos em que tudo acontece, fazendo a narrativa correr à mil, mas há outros em que nada acontece, assim estagnando a leitura. Em alguns momentos, inclusive, sentia como se eu tivesse lido várias páginas, quando na verdade não tinha lido nem trinta direito, o que acabou sendo um pouco frustrante e tornando a leitura um pouco mais demorada do que previ. Mas isso acaba sendo algo bom, porque a história se desenvolveu da melhor forma que poderia ser feita, não pecando nesse ponto.


O Fim de Todos Nós é um livro sombrio e incrivelmente realista. Por não ter nenhum elemento fantasioso demais - além da própria doença em si - fez com que eu me perguntasse várias vezes durante a leitura o que eu faria em uma situação dessas, de tão fácil que é de relacionar com a realidade. Uma boa leitura para quem quer algo diferente para ler, e goste de distopias, histórias apocalípticas, e uma boa dose de fobia - já que foi o que senti durante boa parte da leitura, de tão imerso que fiquei.

Título Original: The Way We Fall
Série: Fallen World
Volume: Um
Autor: Megan Crewe
Editora: Intrínseca
Nº de Páginas: 272
ISBN: 9788580573305
Onde Comprar: Livraria Saraiva/Submarino/Book Depository (Em Inglês)

Mateus Bandeira - @mateusbnd. 18 anos. Estudante de Cinema e Audiovisual na UFC e criador do Padoka. Apaixonado por cinema, música e literatura, espera algum dia viver de alguma dessas coisas - ou de todas elas. Sucker de cultura pop.

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