1 de outubro de 2013

"..porque le gustaba mucho mirar la cordillera": Cordilheira, de Daniel Galera

Autor: Daniel Galera
Ano: 2008
Editora: Cia das Letras
Nº de Páginas: 176
ISBN: 9788535913262
Onde Comprar: Livraria Saraiva/Livraria Cultura
Sinopse: Recém-saída de um relacionamento amoroso e ainda sob o impacto do suicídio de uma amiga, uma escritora resolve aproveitar o lançamento da tradução argentina de seu romance para passar uma temporada em Buenos Aires. Primeiro título da coleção Amores Expressos, em que autores brasileiros escrevem histórias de amor ambientadas em diversas cidades do mundo, "Cordilheira" gira em torno de um recomeço: ao se envolver com um misterioso fã argentino e conviver com seus amigos de hábitos bizarros, a protagonista começa a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ainda não sabe bem o que é. Diferentemente dos romances anteriores de Daniel Galera, a perspectiva não é a do universo masculino, e sim a de uma narradora sem receio de encarar os próprios abismos emocionais.

Anita é uma jovem de vinte e nove anos, e órfã. Quando publicou seu primeiro romance, o sucesso foi imediato. Aclamado pela crítica e por todos os leitores, o romance, mesmo assim, não faz mais parte de Anita, que o renega como um filho bastardo. Ela tem outras prioridades em mente: ela sente um desejo profundo de ter um filho. Mas seu namorado, Danilo, não quer nem pensar na possibilidade de ter um filho, então, ela decide o deixar. Aproveitando que seu livro está sendo lançado na Argentina, e foi convidada para fazer uma participação em uma feira de livros em Buenos Aires por uma boa quantia, Anita decide deixar o Brasil por um tempo e passar um mês em Buenos Aires com esse dinheiro. Ao chegar na cidade, ela conhece um curioso leitor, que a confronta de diversas maneiras, e é então que Anita irá se descobrir em uma oportunidade de fuga da realidade, e de si mesma.


"Duisa era de poco hablar y observaba todo a su alrededor, porque le gustaba mucho mirar la cordillera, ya que se había criado en la provincia de Buenos Aires."

Um fato engraçado é que li esse livro no começo do ano. Se não me engano, foi um dos primeiros, até. O grande problema que enfrentei após terminar o livro foi fazer uma resenha que contemplasse tudo o que esse livro de poucas páginas significou para mim, e toda a mensagem que ele me pensou. Desde então, foram meses de resenhas não finalizadas, de escrever e reescrever, de apagar tudo em um acesso de raiva, até que nessa última semana eu decidi relê-lo. Foi então que percebi o quão desnecessário era escrever uma resenha que unisse todos os fatores positivos, pois é algo até um pouco impossível. Por isso, decidi escrever essa resenha de uma vez, e ao menos explicar o porquê de eu ter gostado tanto desse livro.

Se eu disser que não fiquei nem um pouco surpreso com esse livro, estaria mentindo. Tudo nele me surpreendeu. Desde a narrativa íntima e crua, até o desenvolvimento brilhante da história. Em um momento, você acha que esse é um livro simples, sem maiores pretensões além de uma história sobre dor e pertencimento, mas então ele toma um rumo completamente inesperado e diferente do que se vê. A originalidade, nesse ponto, é imbatível. Logo, o leitor passa a ficar incrivelmente envolvido no drama de Anita, e passa a tomar as dores dela como sua própria. Daniel Galera realmente sabe o que está fazendo quando o assunto é mexer com o íntimo de seu leitor.

Os personagens são realmente o que movem a história desse livro, e são os que tornam esse livro único. Sejam caricatos, ou fáceis de se relacionar, eles tomam a história de Anita em vários momentos, o que dá um brilho a mais em tudo isso. Anita é uma protagonista bastante presente, já que narra a história. Suas divagações são como um copo de limonada cheia de agulhas: é delicioso e refrescante, mas dói bastante para engolir. Tanto que, em diversos momentos da leitura, tive que me dar pausas para refletir sobre o que tinha acabado de ler, de tão pesado e verdadeiro que são as frases de Anita.

Cordilheira é um verdadeiro tapa na cara do leitor. De uma forma sutil, mostra que nem sempre fugir de seus fantasmas e monstros internos é a melhor opção. Tudo nele é extremamente crível, e é isso que o torna mais assustador. Adorei cada segundo da leitura, e já procuro outro livro do autor para ler. Não posso dizer que sou fã do autor, já que só li esse romance dele, mas posso dizer sem pestanejar que sou fã de Cordilheira, e o recomendo para qualquer pessoa. 

Mateus Bandeira - @mateusbnd. 18 anos. Estudante de Cinema e Audiovisual na UFC e criador do Padoka. Apaixonado por cinema, música e literatura, espera algum dia viver de alguma dessas coisas - ou de todas elas. Sucker de cultura pop.

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